Esse povo de humanas não sabe de nada. Ninguém é normal ali e querem cuidar dos outros.

Com frequência leio comentários na internet como esse do título, “Estão todos errados, esse povo de humanas não sabe de nada”.  Vejo que as pessoas sente-se na obrigação de opinar sobre qualquer assunto, o mais estranho é perceber que elas acreditam que sabem mais sobre o assunto do que os próprios profissionais da área.

Basta colocar um artigo de psicologia, pedagogia, sociologia, antropologia entre outros assuntos relacionados com a sociedade que surgem comentários de todos os tipos. O mesmo já não ocorre com tamanha expressão em conteúdos de cunho “científicos”, projetos arquitetônicos e outros assuntos que possam ser materializados.

 Vamos usar como exemplo a desocupação da Cracolândia em São Paulo. A gestão do prefeito João Dória tinha como um dos compromissos acabar com a concentração de usuários na região, assim o fizeram. No entanto a ação da prefeitura foi duramente criticada por médicos e psicólogos, os quais passaram a publicar e dar entrevistas expondo os problemas gerados pela ação na Cracolândia.

Os mesmos sofreram as críticas reversas, algumas bastante duras.  O que me chamou a atenção é que algumas pessoas zombam em seus comentários como se os profissionais não soubessem do que estavam falando.

Mas de quem é a culpa?

A culpa é nossa (profissionais de humanas), pois a grande maioria só se manifesta depois de uma ação praticada, poucos se movem para trabalhar na prevenção da mesma, ou seja, deixa para falar ou fazer alguma coisa quando alguém já começou a fazer o trabalho do qual era a nossa responsabilidade ao menos orientar.

É fácil julgar a atitude da prefeitura de São Paulo, mas antes da ação, o que estávamos fazendo para melhorar a situação dos usuários e moradores da região da cracolândia? O que fizemos gerou resultados positivos?

Essa é a grande diferença, precisamos mostrar resultados na prática, as pessoas apoiaram a atitude do Prefeito e seus colaboradores por verem o resultado, independente se foi bom para todos os envolvidos, mas geram o esperado, tirar a aglomeração de usuários de lá.

Atacaram os profissionais por que os mesmos não apresentaram resultados, a não ser teses disso ou daquilo. Todos, inclusive nós, estamos cansados de teorias sem ação.

Na minha graduação tive muitas dificuldades por confrontar professores que defendiam ardentemente a aplicação de  teses de grandes nomes da educação no Brasil e no mundo, minha briga era por saber que muitas daquelas teses já estavam ultrapassadas e não funcionam na prática, portanto deveríamos estudá-las para fins históricos da evolução da educação e não como uma ferramenta fantástica para aprendizagem como estava sendo proposto por alguns professores.

Até alguns colegas passaram a me olhar com certo repúdio, eles já estavam com a ilusão de achar que tudo funcionaria perfeitamente com uma metodologia do século passado, mas na prática o que houve foi muita frustração.

Não podemos esquecer que nossa ciência se diferencia das exatas, justamente, porque ao obter-se um resultado favorável não significa que a fórmula está correta. Devemos nos ater que cada individuo é um mundo em particular.

E agora o que fazer?

Precisamos mudar a forma de tratar a nossa ciência, primeiro colocamos em prática, depois publicamos e falamos sobre o assunto. Lembrando que aquela teoria aplicada nos Estados Unidos, que muitos defendem sua aplicação aqui, pode não funcionar na diversidade cultural brasileira.

Tenho como exemplo  o Dr. Augusto Cury, que desenvolveu e permanece testando sua Teoria da Inteligência Multifocal. Também encontramos um vasto material dos estudos e resultados da Programação Neurolinguística (PNL), que vem sendo desenvolvida desde os anos 70  do século XX. Esses dois estudos possuem dados com resultados relevantes sobre o desenvolvimento emocional e intelectual.

 Devemos acompanhar essas evoluções, colocá-las em práticas e ir registrando os resultados. Quando temos prova do que funciona e o que não funciona fica muito mais fácil de explicar e ganhar credibilidade.

Antes de sairmos por ai defendendo uma tese, vamos aplicá-la em nossa vida profissional, assim poderemos saber se ela é útil ou não para o meio cultural que vivemos. As ciências humanas sofrem muito com o “achismo”, dados isolados e com profissionais de diversas áreas que tentam robotizar  a psique.

Somos cientistas dos sentimentos, das relações, das emoções. Somos pesquisadores do mais íntimos pensamentos humanos.

Convido você profissional e futuro profissional de humanas a abraçarem essa causa comigo, juntos nos tornaremos mais fortes para mostrar para sociedade que não somos “filósofos modinhas”, mas que vivemos a mais pura filosofia de não nos contentarmos com meros resultados, com meros dados e com informações distorcidas.

 Cabe a nós lutarmos para tornar nossa ciência cada dia mais confiável e palpável para a sociedade. Amigos professores, sei que somos poucos valorizados, mas de forma alguma deixe de dar o seu melhor para seus alunos, muitas vezes a única referência de resiliência que ele possui são vocês.

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